Billy Matador - Parte 1

"BILLY MATADOR"

por Orlandeli

Caramba, três anos, e parece que foi ontem. Ainda me lembro do Marcelo, com a cabeça enfiada no vaso, jogando pra fora o pouco que tinha comido no almoço.

Já tinha lido algo a respeito, que quando estamos sob tensão ou ansiedade, o corpo acaba respondendo de alguma forma. As vezes da forma mais nojenta possível, como era o caso do Marcelo naquela ocasião. Percebi que ele não estava bem desde a noite anterior, tava transpirando muito e quase não abriu a boca. Na manhã seguinte a coisa foi se agravando, praticamente passou o dia inteiro no banheiro, "-Diarréia", dizia ele.

Mas foi de noite, no vestiário do Ginásio de Esportes, onde vi que a coisa tinha atingido o seu ponto crítico. O rosto dele transmitia desespero, o seu olhar era de pavor, o seu... caramba, se ele continuasse vomitando daquele jeito, teríamos que fazer um enxerto. Não iria sobrar nada para a hora da luta.

Ahaaaa a luta. O motivo de toda aquela angústia. Mas como a gente podia saber? Na hora até que pareceu ser um bom negócio. Tanto que foi o próprio Marcelo que se ofereceu pra lutar, eu iria de treinador. Tava lá, tudo explicadinho em contrato: "Receberá o valor de dois mil reais para participar de combate com o lutador Killer Joe". Beleza, "dinheiro fácil" concluímos. Só que aí veio mais uma observação: ..."desde que consiga se manter em pé na luta em pelo menos 4 rounds".

Bom... estranho, mas aparentemente sem problemas, na pior das hipóteses, dava pra ficar se movimentando no ringue até acabar os 4 rounds.

Assinamos o contrato. Foi então que ficamos sabendo, NUNCA alguém, sequer, chegou ao segundo round. Parece que esse tal de Killer Joe era uma espécie de sádico, que adorava espancar seus adversários. Surgiu até uma história que, quando a luta começava, já ia alguém ligar a ambulância pra ir adiantando o serviço.

Evidente que isso mexeu com os miolos do Marcelo, claro, ganhar dinheiro é uma coisa, agora partir pra um suicídio com requintes de crueldade, é algo completamente diferente. Na mesma hora falamos que iríamos desistir. Aí apareceram as letras miúdas. Sempre as letras miúdas. São tão pequenininhas que a gente até despresa, passa o olho rapidinho, doido pra ir direto ao ponto que interessa. A gente nem imagina o que aquelas letrinhas, miudinhas, todas engafinhadas umas sobre as outras são capazes de fazer com as nossas noites de sono.

Pois bem, as letrinhas diziam assim "Rescisão de contrato acarretará em multa de R$ 10.000,00".

Pronto, fudeu! Nem em sonho a gente tinha essa grana. Não dava mais pra voltar atrás.

Convenci o Marcelo a lutar, ou melhor dizendo, correr em volta do ringue até a luta acabar. À princípio parecia que tinha aceitado os fatos, afinal, ele era uns 30 kg mais leve que o Joe. Na lógica conseguiria correr mais. Talvez conseguisse chegar até o 4º assalto. Já pensou? Que beleza!

Depois, vendo como ele estava no vestiário, seria muita sorte se conseguisse sair vivo de lá.

Eu precisava pensar em algo. Foi então que tive uma idéia. Li uma vez que, com uma certa dose de estímulo, podemos alterar a personalidade da pessoa, e era isso que o Marcelo precisava, mudar de personalidade, ser outra pessoa, alguém preparado para essa luta.

Eu não podia mais perder tempo, a luta estava em cima da hora, fui logo falando:

- Marcelo, acorda rapaz, limpa essa baba!

- Húm?

- Húm nada, vamos deixar de conversa furada, vai lá e acaba com esse imbecil do Killer Joe.

- Acabar? Eu? Cê tá louco!!!! O cara vai me matar!

- Mata nada! Você mata ele antes!

- Eu? Mato?

- É, você! Você é o fudidão, ninguém pode com você! Ninguém!

- Mas olha o cara, olha o nome dele, "Killer". Só o nome já fode com tudo.

- E daí? Foda-se! Quer um nome? Então tá, você é o... BILLY MATADOR! É isso que você é!

- Eu? Matador?



Escrito por orlandeli às 07h52
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Billy Matador - parte 2

 

- É, você mesmo, o cara mais fodido e malvado que conheço. Você é do mal, tem ira passando nas veias, você sente elas rasgando a sua pele. Não sente?

- É, acho que...

- Acho porra nenhuma! Sente ou não sente?!

- É! Eu sinto, tô sentindo...

- Isso mesmo Billy, a ira vai passando pelas veias e se aloja no coração. NÃO! No coração não, porque você não tem coração.

- É, NÃO TENHO! CORAÇÃO NÃO!

- Isso mesmo Billy, coração é coisa de franguinha. Você não! Você esfola quem aparece na sua frente, esfola vivo. NÃO ESFOLA?!

- ESFOLO!! ESFOLO VIVO!!!

- Ninguém pode com você, nem aquela franga do Killer Joe, ele é um bundão, não pode com você! Você é que é o fudidão!

- NÃO, NÃO PODE!!! AQUELA BICHA, FRANGA! EU SOU O FODÃO!!

- Então me diz, o que você vai fazer com ele?

- VOU ACABAR COM ELE!

- Repete!!

- VOU AAACABARGH COM ELE!!!

- Não tô ouvindo!

- VOURH AGCABARRRHG COM ELEEEE!!!!!!

- Mais uma vez! Com raiva! Você é mal! É o Matador! Destruidor de esperanças! VAI!! GRITA!!! VAI!!!!!!!!!!!

- GRRAAAAAUUUUUURRRSSSSHHHRRRRRR!!!

Credo. Nunca tinha visto um negócio daquele. Aquele grito parecia que tinha saído do inferno. O Bill.... digo, o Marcelo saiu do vestiário direto para o ringue. Puts!! Juro que não queria estar na pele do Killer Joe, o Marcelo subiu no ringue espumando a boca e babando feito cachorro louco. Os olhos pareciam duas brasas, de tão vermelhos que estavam.

A luta não deu nem pro começo, mal começou e o Bill... digo o Marcelo, estava com as duas mãos na garganta do coitado. Não demorou muito e tascou uma mordida no nariz do Joe. Precisou uns 10 seguranças pra tirar o Marcelo de lá.

A luta acabou logo no comecinho do primeiro round. A boa notícia foi que, em caso de vitória, o desafiante ganharia cem mil reais. Isto também estava no contrato, pelo visto eles achavam que nunca iriam perder.

Eu e o Marcelo pegamos o dinheiro e investimos num pequeno negócio. Compra e venda de carros usados. Sabe, coisa de marreteiro. Tem seus macetes, mas a gente sempre entendeu bem dessas coisas. Já conseguimos até dobrar o dinheiro investido.

Falar a verdade, quem cuida mais dos negócios sou eu mesmo. No final do mês deposito a parte do Marcelo na conta dele. Só de vez em quando, é que ele passa aqui pra dar uma olhada nas coisas. Falando nisso, olha ele lá:

- Ei, Marcelo, e aí? Beleza?

- GRRAAAAAUUUUUURRRSSSSHHHRRRRRR!!!

Poxa... as vezes sinto saudades do meu amigo.



Escrito por orlandeli às 07h51
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Artilheiros

Dando seqüência ao post que iniciei há alguns dias, segue os três últimos artilheiros, num total de dez, publicados numa matéria para a revista Mundo Estranho.
 
Dadá Maravilha - 559 gols - entre 1967 - 1986
 
Túlio - 572 gols - desde 1988
 
Josef Bican - 518 gols - entre 1931 - 1955


Escrito por orlandeli às 07h45
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Grump



Escrito por orlandeli às 08h43
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Condomínio Chulipa

Eis a última HQ do Chulipa com o tema copa. Foi publicada seguda-feira, na também última edição do jornal 25 Minutos, aonde saía semanalmente.



Escrito por orlandeli às 08h41
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Ih, Zidanamos de novo!

Acabou a festa! Confesso que estava confiante na vitória brasileira, mais pela atuação discreta da França nos jogos anteriores do que por achar que a seleção do Parreira estava jogando um bolão.


Bom, fiquei de fazer a charge para a edição de domingo do jornal Diário da Região. Claro que o assunto só poderia ser o resultado do jogo Brasil x França. Como a partida era às quatro da tarde em pleno sabadão, pra não fazer tudo na correria resolvi adiantar um esboço, acreditando que a seleção canarinho finalmente nos vingaria pelo vexame em 98. "Vingança é um prato que se come frio", essa frase não me saía da cabeça.
Deixei tudo prontinho, só precisava esperar terminar a partida e PIMBA, finalizar o desenho feliz da vida e com a alma lavada.
Daí, apareceu o Zidane...

A CHARGE QUE NÃO SAIU


A QUE SAIU



Escrito por orlandeli às 09h15
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